Começo por mostrar esta série de cinco fotografias da minha cara em tamanho real, sendo que as últimas quatro são pinturas a lápis de cor sobre impressões da primeira fotografia. Estas pinturas realizadas por mim, entre 2011 e a actualidade, pretendem reproduzir a forma como em determinados momentos eu vi a fotografia inicial utilizando apenas o olho direito e observando-a num ambiente com muita luz do sol e a uma distância de 50 cm, a distância a que habitualmente se está durante uma conversa com outra pessoa. As datas em que foram feitas são muito significativas na história dos meus olhos: Janeiro de 2011, Maio de 2011, Setembro de 2012 antes de partir para San Francisco, e agora em 2 de Abril de 2013, seis meses depois de ter regressado após ter feito as quinze sessões de terapia visual com o Dr. Meir Schneider, e estando a continuar a trabalhar diariamente com os meus olhos de acordo com o programa estabelecido para mim.
Qual a razão pela qual fiz estas pinturas?
Comecei a fazer esta série com uma intencionalidade muito específica, documentar e explicar melhor aos meus oftalmologistas como é que eu via a cara das pessoas com o olho direito numa altura, Janeiro de 2011, em que senti que estava a piorar de dia para dia. Eu queria e precisava de ilustrar de uma forma mais vivida e visível a progressão acentuada e rápida da perda da visão, sem ser através dos inúmeros exames oftalmológicos que fiz, e para esse efeito utilizei a minha paixão e o prazer enorme de pintar, embora nessa altura já tivesse imensas dificuldades a esse nível. Mas foi com essa forte intencionalidade de mostrar como é que eu estava a ver que consegui ir fazendo as pinturas e ir ultrapassando uma grande resistência íntima com manifestações físicas de grande mal-estar por me confrontar de uma forma tão evidente e incontornável com o que me estava a acontecer e me apavorava tanto: a iminência da perda da visão.
Tenho bem presentes os sentimentos de medo e de angústia e desespero ao confrontar-me com aquele terrível mergulho na escuridão. Fiz estas pinturas só com o olho direito porque era aquele cuja grande falta de visão me assustava mais e ainda mais quando se tornou claro, através de exames, que o olho esquerdo estava a seguir exactamente o mesmo caminho e com bastante rapidez.
Agora, seis meses depois de ter regressado de San Francisco, resolvi voltar a experimentar confrontar-me com a forma como neste momento vejo a mesma fotografia da minha cara, utilizando o mesmo material,o mesmo tipo de luz e a mesma distância, no sentido de documentar esta nova fase de um modo bem visível e concreto quer para mim própria quer para as outras pessoas. E na tarde do dia 2 de Abril quase não conseguia acreditar na maneira como estava a ver a minha fotografia: a clareza e a amplitude do campo visual, a total ausência da névoa escuríssima existente anteriormente e apenas a presença de uma névoa clara na parte de cima da minha cara…!!! Fiz inúmeros testes em dias diferentes para confirmar esta enorme maravilha e é mesmo verdade, eu já não vejo aquela névoa tão escura que há apenas seis meses cobria quase toda a imagem da minha cara como se pode ver na penúltima fotografia, pintada em Setembro, antes de ir para San Francisco fazer a terapia visual com o Dr. Meir Schneider!!!!
Não há palavras suficientes para exprimir os meus sentimentos, é uma alegria enorme e inteira e colorida, um grande entusiasmo em continuar a trabalhar mais e melhor com os meus olhos e uma profunda admiração e uma imensa gratidão face ao Dr. Meir Schneider pelo trabalho fantástico que fez comigo e pela sua sabedoria, generosidade e enorme dedicação da sua vida a ajudar e a ensinar milhares de pessoas dos mais diversos países do mundo a melhorarem a sua saúde visual e global!!
Neste ano de 2013 nasceu de facto a minha primavera pessoal, cheia de força e de energia e eu estou mesmo feliz!!
